Na floresta, folhas secas, galhos e pinhas caídas no chão passam despercebidos para algumas pessoas, mas, pelas mãos de Fu Lihong, ganham um significado especial.
Na região da Mongólia Interior, no norte da China, Fu usa agulhas de pinheiro, cascas secas e pinhas, coletadas nas montanhas da Grande Khingan, em obras de arte que têm como inspiração sua infância.
A artista já nutre uma conexão com a floresta desde pequena. Filha de um trabalhador florestal, ela costumava acompanhar seu pai durante o trabalho e guarda lembranças das caminhadas pela mata.
Fu coleta materiais nas quatro estações
A artista passou mais de três anos caminhando pela floresta durante as diferentes estações do ano, colhendo uma grande quantidade de materiais naturais para desenvolver suas obras.
Durante esse período, ela chegou a coletar quase 1 milhão de agulhas de pinheiro, que depois foram usadas na criação de vários trabalhos únicos. Fu, ao invés de usar tinta e pincel, constrói as imagens de suas obras cuidadosamente a partir da organização desses elementos naturais.
A história também tem ligação com o processo de reflorestamento da região. O pai da artista participou do plantio realizado em Arxan a partir da década de 1950.
Segundo a People’s Daily, até 1992, a área de florestas artificiais preservadas da região havia chegado a cerca de 1 milhão de mu, equivalente a aproximadamente 66,7 mil hectares.
Então, galhos secos e folhas caídas passaram a ser matéria-prima para preservar uma tradição e contar a história da própria floresta.
Um museu para preservar a tradição
Fu Lihong fundou, em 2021, o Mengxiaosong Forest Culture Art Museum, totalmente dedicado à cultura do pinheiro. Como aponta a People’s Daily, o museu é o único da Mongólia Interior voltado exclusivamente para esse tema.
O espaço vai além de ser apenas uma galeria. Fu também criou um programa educativo para crianças. Elas têm experiências dentro da floresta para conhecer as plantas das montanhas da Grande Khingan. Depois, retornam ao museu e aprendem a criar suas próprias artes com pinhas e outros materiais naturais.
Em 2024, o programa foi reconhecido como um dos projetos de destaque de estudo e turismo educacional da Mongólia Interior.
E o trabalho não para por aí. Fu contrata trabalhadores florestais que têm tempo disponível para coletar pinhas e agulhas de pinheiro utilizadas em suas criações. Ela também treina novos artesãos para que a técnica continue sendo transmitida às próximas gerações.
Fu Lihong fez com que sua arte aproximasse crianças da floresta, movimentasse a economia local e não deixasse morrer a tradição cultural que a acompanha desde pequena.









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