
Agulhas Não, Cansanção: A Heroína Baiana Que Queimou 40 Navios e Garantiu a Nossa Independência
Conheça a impressionante história da mulher que liderou um exército popular e usou a própria natureza como arma de guerra.
A Força Que Veio da Ilha de Itaparica
Quando estudamos a Independência do Brasil, as narrativas tradicionais costumam focar em figuras masculinas e no famoso grito às margens do Ipiranga. No entanto, a verdadeira consolidação da nossa liberdade exigiu batalhas sangrentas e estratégias geniais em outras partes do país. Na Bahia, entre 1822 e 1823, a luta armada para expulsar os europeus continuou de forma intensa. E foi nesse cenário de enorme tensão que surgiu uma das lideranças mais brilhantes e injustamente esquecidas da nossa história: Maria Felipa de Oliveira.
Descendente de povos do Sudão, Maria Felipa era uma mulher negra, marisqueira e capoeirista que vivia na Ilha de Itaparica. Quando as tropas portuguesas tentaram invadir e dominar pontos estratégicos da ilha para sufocar a resistência brasileira, ela não abaixou a cabeça. Em vez de esperar pelo exército oficial, ela mesma formou a sua própria tropa para defender a sua terra.
A Tática do Cansanção e do Fogo
Com um poder de persuasão incrível, Maria Felipa reuniu cerca de 200 pessoas, formando um batalhão popular composto majoritariamente por mulheres negras e indígenas das etnias Tupinambá e Tapuia. Elas não possuíam canhões, mosquetes ou armamento pesado. Suas armas eram peixeiras, facões, pedaços de pau e, o mais genial de tudo, galhos de cansanção — uma planta nativa com espinhos altamente urticantes, que causa uma sensação terrível de queimadura e dor ao tocar na pele.

A Estratégia de Mestre na Batalha:
- A Distração: O grupo de mulheres guerreiras liderado por ela, conhecido como “vedetas”, usava a sedução como isca de guerra. Elas atraíam os soldados portugueses para as praias, os embebedavam e induziam os homens a tirarem as fardas e baixarem completamente a guarda.
- O Ataque Inesperado: No momento de maior vulnerabilidade dos inimigos, elas atacavam implacavelmente, surrando os soldados nus com os galhos de cansanção. A dor lancinante e as queimaduras neutralizavam a tropa militar europeia na hora.
- A Destruição da Frota: Enquanto os soldados agonizavam na areia da praia, Maria Felipa e o restante do grupo nadavam até as embarcações portuguesas ancoradas e ateavam fogo. Estima-se que elas conseguiram incendiar dezenas de barcos do império.
Mito ou Realidade? O Peso de um Símbolo
A história de Maria Felipa divide opiniões e está exatamente na fronteira entre a história real e a lenda popular. Por um lado, existem pouquíssimos documentos oficiais da época que comprovem os detalhes da vida dela ou a grandiosa ação de incendiar as dezenas de embarcações portuguesas. Como a sua trajetória sobreviveu principalmente através de narrativas e crônicas orais passadas de geração em geração, alguns historiadores consideram que ela seja uma figura mítica, chegando até a afirmar que ela não existiu de fato.
Por outro lado, diversos pesquisadores modernos defendem que essa ausência de registros oficiais não significa que ela seja uma invenção. Eles argumentam que a historiografia tradicional impôs um grande apagamento e esquecimento à história de Maria Felipa justamente pelo fato de ela ter sido uma mulher negra e pobre. Tendo existido exatamente como contam as lendas ou servindo como um forte símbolo que representa a resistência coletiva de várias mulheres daquela época, o fato é que o peso de sua imagem foi oficializado. Em 26 de julho de 2018, a sua atuação histórica foi reconhecida por lei federal e ela foi inscrita no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria em Brasília, eternizando a força e o protagonismo feminino nas bases da nossa liberdade.
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